sexta-feira, 21 de abril de 2017

Indianápolis não precisa de astros... ou precisa??????



Bom, gente... agora mais uma vez eu escrevo minhas linhas para falar de automobilismo... o que chamou a atenção foi o fato de Fernando Alonso anunciar a sua participação nas 500 milhas de Indianápolis... e aí veio uma máxima... certa vez Buddy Lazier disse que "Indianápolis não precisava de astros..." e então eu resolvi fazer um comparativo sobre alguns pilotos destaques de Fórmula 1 de tempos anteriores, como é que eles se saíram quando correram esta prova... bom, vou citando alguns mais recentes...




O piloto suíço Clay Regazzoni após se classificar para a Indy 500 de 1978

CLAY REGAZZONI - Uma espécie de "bom vivant" da Fórmula 1 dos anos 1970, o piloto suíço, vice-campeão da Fórmula 1 de 1974, arriscou a participar da prova em 1978, mas acabou se acidentando... felizmente ele saiu andando depois da batida, mas nunca mais acabou voltando ao famoso oval, um pouco também pelo fato de ter ficado paraplégico depois de sofrer um grave acidente no GP de Long Beach de 1980...

Emerson Fittipaldi na sua estréia em 1984 com a pequena equipe W.I.T.
 
EMERSON FITTIPALDI - Talvez o exemplo mais bem sucedido de ex-campeão da Fórmula 1 no circuito de Indianápolis... Emerson estreou em 1984, tornando-se o primeiro brasileiro a disputar a mais famosa prova... ele abandonou logo no comecinho, mas depois foi ganhando destaque na Fórmula Indy e venceu a prova por duas vezes em 1989 e 1993... hoje Emmo é sempre lembrado pelos organizadores para receber homenagens...




Roberto Guerrero (carro branco), atrás de Rick Mears, o vencedor de 1984

ROBERTO GUERRERO - Com passagens discretas na Fórmula 1 por equipes pequenas, o piloto colombiano resolveu tentar a Fórmula Indy depois de não ter assinado com a Brabham em 1984... na sua edição de estréia, terminou em segundo lugar, a duas voltas atrás de Rick Mears... Guerrero gostou tanto da prova que resolveu se mudar de vez para os Estados Unidos, fazer carreira na Indy e constituir família... ele, nas outras edições, teve alguns altos e baixos durante o tempo, mas se tornou um dos pilotos mais respeitados da categoria nos anos 1980 e 1990...

Raul Boesel em ação em 1989, o ano de seu melhor resultado na prova

RAUL BOESEL - Depois de duas temporadas na Fórmula 1 com passagens pela March e pela Ligier, Boesel tentou a Fórmula Indy em 1985, seguindo o exemplo de Emerson Fittipaldi na categoria. Estreou na Indy 500 daquele mesmo ano, e depois de experiências em outras categorias, com destaque para o Mundial de Marcas (a avó do atual WEC) de 1987, voltou à Indy, conseguindo logo depois em 1989 o seu melhor resultado com um terceiro lugar. Mas foi na edição de 1993 que ele realmente teve condições de brigar pela vitória, e só acabou não conseguindo por culpa de duas penalizações durante a prova que acabaram com suas chances. Até hoje essas punições são questionadas pelo próprio piloto e pelos críticos. Raul Boesel ainda participou de outras edições logo depois... hoje ele ganha a vida como um DJ de grande sucesso...


O maior momento de Eddie Cheever foi a vitória em 1998

 EDDIE CHEEVER - O piloto norte-americano passou por muitas equipes na Fórmula 1 sem muito destaque, mas foi na Indy que ele resolveu retomar sua carreira... Cheever estreou em 1990 junto com a recém-criada equipe Chip Ganassi no famoso oval e foi considerado o melhor rookie da prova... depois foi disputando várias edições, primeiro no período Pré-cisão e depois na IRL, onde até montou equipe própria e nela, venceu a prova em 1998...

Eu já falei de Nelson Piquet na Indy 500 num post embaixo lá atrás...

NELSON PIQUET - Sem uma perspectiva de um carro competitivo na Fórmula 1, Piquet aceitou o convite da equipe Menard para disputar a Indy 500 de 1992, onde prometia ser o maior destaque da prova... mas um acidente nos treinos livres fraturou suas duas pernas e ele passou o restante do ano em recuperação, voltando no ano seguinte para disputar a prova e abandonar nas primeiras voltas... nunca mais voltou ao famoso oval...

O "leão" Nigel Mansell depois da classificação de 1993...

NIGEL MANSELL - O piloto inglês chegou credenciado com o título da Fórmula 1 de 1992 e estreou no ano seguinte pela equipe Newmann Haas, com status de grande estrela da categoria... Mansell acabou cruzando a linha de chegada em terceiro lugar naquele ano... depois disputou ainda a edição de 1994, até deixar a categoria...


O sueco Stephan Johansson, veterano da Fórmula 1

 STEPHAN JOHANSSON - Caso parecido com o de Eddie Cheever, o piloto sueco, com passagens por equipes como Ferrari, McLaren e Ligier, conseguiu uma vaga na Fórmula Indy pela equipe Bettenhousen e na edição de 1993, foi o melhor rookie classificado no grid... mas o seu maior feito foi ter tirado do grid o bi-campeão Emerson Fittipaldi em 1995 nos instantes finais da classificação...


Eliseo Salazar em ação durante os treinos

ELISEO SALAZAR - Sim... o chileno que ficou famoso por ter levado umas porradas de Nelson Piquet após ter tirado o piloto brasileiro da pista em Hockheinheim 1982, resolveu se aventurar na Fórmula Indy também... ele estreou em 1995 e terminou num honroso quarto lugar... depois disto, com a cisão CART x IRL, Eliseo preferiu a nova liga e se tornou piloto de ponta, competindo até 2002...


Christian Fittipaldi e o "carro brasileiro" rasgam as curvas e retas nos treinos de 1995

CHRISTIAN FITTIPALDI - Depois de temporadas medianas na Fórmula 1 com Minardi e Arrows, o sobrinho de Emerson resolveu arriscar a sorte na Fórmula Indy... ele estreou em 1995 com um carro pintado com a bandeira do Brasil... na edição daquele ano, ele passou por alguns problemas na classificação, mas na corrida, mostrou combatividade e conseguiu abiscoitar um segundo lugar muito bem comemorado... mas depois disto, ele nunca mais correu a famosa prova, muito em culpa pelo fato da cisão CART x IRL e ele ter optado por seguir do lado da CART, que deixou de correr as 500 milhas a partir de então...


Michele Alboreto, em sua única participação na prova

MICHELE ALBORETO - Ex-piloto da Ferrari e da Tyrrell, vice-campeão da Fórmula 1 em 1985, Alboreto resolveu tentar a sorte na Fórmula Indy... ele pegou o momento da cisão CART x IRL e assinou com a equipe Scandia Dick Simon, que resolveu optar pela IRL... Alboreto correu meio que a contra gosto, porque viu a IRL começando e não gostando do que viu... o piloto italiano acabou confessando mais tarde que só correu a Indy 500 porque a equipe já estava com um lugar garantido na prova (a regra dos 25 dos 33 em vigor em 1996 e 1997)... a sua única participação foi em 1996, onde ele largou numa posição intermediária e logo abandonou... nunca mais ele correu a prova, pois abandonou a IRL logo depois, sem uma perspectiva de correr na extinta CART, onde estavam os melhores pilotos e equipes...


Johnny Herbert, fracassando em 2002

JOHNNY HERBERT - Depois de ter deixado a Fórmula 1 onde correu por muito tempo, o piloto inglês tentou uma vaga na Indy 500 de 2002, mas não conseguiu se classificar para a corrida daquele ano. Herbert era outro que tentou um lugar na CART, mas acabou indo para a IRL e a sua não classificação acabou encerrando de vez suas tentativas de correr na Fórmula Indy...


O japonês Takuma Sato no ano de sua estréia no famoso oval

TAKUMA SATO - O "japonês voador", depois de muitos anos como protegido da Honda na Fórmula 1, aceitou um convite da equipe Lotus KV na Indy unificada em 2010... Sato estreou no famoso oval naquele ano com um acidente, mas seu melhor momento foi em 2012, onde chegou a brigar pela vitória até a última volta, mas acabou batendo e abandonando, perdendo uma oportunidade de escrever seu nome na galeria dos vencedores da prova...


Uma rara aparição de Scott Speed em ação no circuito oval em 2011

SCOTT SPEED - Com passagens pela Toro Rosso em 2006 e 2007, o piloto norte-americano tentou se classificar para as 500 milhas de 2011, mas antes do Pole Day acabou brigando e discutindo feio com os integrantes da equipe Dragon, acusando-os de dar um carro melhor para o seu companheiro de equipe... Speed acabou sendo demitido e virou "persona non grata" dentro da Fórmula indy...


O brasileiro Rubens Barrichello em ação durante a Indy 500 de 2012

RUBENS BARRICHELLO - Depois de dezenove temporadas na Fórmula 1 e dois vice-campeonatos, influenciado por Tony Kanaan, o piloto brasileiro aceitou correr a Fórmula Indy em 2012... Kanaan foi convencendo-o aos poucos a disputar a Indy 500 e ele resolveu aceitar... na prova, Barrichello largou em décimo primeiro e terminou a corrida na mesma posição... foi a sua única participação na prova...


Jean Alesi se arrastando nos treinos da Indy 500 de 2012

 JEAN ALESI - Outro ex-veterano da Fórmula 1, Alesi aceitou disputar a prova guiando um carro com motor Lotus... mas com o fiasco da marca na prova em 2012, o piloto ítalo-francês acabou sem muito o que fazer, se divertindo bastante nos bastidores... ele largou em último e logo no comecinho tomou bandeira preta, sendo eliminado pela pouca velocidade dos motores Lotus... outro também que nunca mais voltou ao circuito oval...


Kurt Busch, ao ser anunciado para a Indy 500 de 2014 pela equipe Andretti

KURT BUSCH - Esse não é da Fórmula 1, mas sim uma das estrelas da Nascar, mas que não sabia o que era guiar monoposto... Buschão aceitou o convite da equipe Andretti e disputou as 500 milhas de Indianápolis de 2014, terminando em sexto lugar, muito graças à sua experiência nos ovais da Nascar, o que o ajudou bastante... cumprida a experiência, Kurt Busch resolveu continuar nos carrões da Nascar, onde é a sua praia...


O atual campeão da Indy 500, Alexander Rossi

 ALEXANDER ROSSI - Esse jovem piloto tentou carreira na Europa e chegou a disputar algumas poucas corridas na Fórmula 1 pela pequena equipe Manor... resolveu tentar a Fórmula Indy pela equipe de Bryan Herta no ano passado e na sua primeira edição, acabou vencendo a Indy 500 centenária, numa das edições mais surpreendentes da história da corrida... este ano, o jovem Rossi vai tentar o bi-campeonato da prova...


Pois é... estes foram alguns e seus desempenhos... como podem ver, alguns foram bem, outros nem tanto... agora vamos ver como que vai ser a participação de Fernando Alonso nesta prova...

Doze técnicos que tiveram destaques meteóricos no futebol brasileiro

Bom, gente... o futebol brasileiro produz muitos heróis, sejam jogadores e técnicos... porém, num período em que valorizamos os Tites, Cucas e Muricys da vida, existiram durante um bom tempo, alguns que tiveram uma rápida ascensão no futebol brasileiro, mas que depois tiveram também um declínio até mais rápido do que foi a sua ascensão e acabaram caindo no ostracismo, pelo menos na memória do torcedor brasileiro. Por isso mesmo, vou citar alguns destes técnicos que terminaram desta forma:

CABRALZINHO - Surgiu no Santos de 1995 que tinha o meia Giovanni, apelidado de "Santástico". Com ele, o time chegou a decisão do campeonato brasileiro, perdendo após três lances polêmicos na partida final contra o Botafogo... Cabralzinho foi eleito o melhor técnico daquele campeonato, mas depois que saiu do time, acabou caindo no ostracismo no futebol brasileiro, mas continuando sua carreira em clubes do exterior.




Cabralzinho liderou o Santos em 1995

PAULO GONÇALVES - O maior feito dele como treinador foi ter levado o time do Goiás a uma semifinal de campeonato brasileiro em 1996, parando no Grêmio de Felipão e cia... sua carreira se resumiu praticamente a treinar clubes do estado de Goiás... tentou reeditar essa parceria em 1997 sem sucesso, depois sumiu de vez.

EDUARDO AMORIM - Somente os mais fanáticos corinthianos se lembram dele... ex-jogador da época da Democracia Corinthiana, ele era auxiliar técnico do time por quase dez anos... ganhou a primeira oportunidade como treinador e com ele, o Corinthians conquistou a Copa do Brasil e o Campeonato Paulista de 1995... depois, veio o declínio e ele foi demitido após a eliminação na Libertadores de 1996... ainda tentou treinar clubes do nordeste, porém, sem muito sucesso...


Eduardo Amorim e o título da Copa do Brasil de 1995

MAURO FERNANDES - Na época, foi lançado como um dos técnicos mais jovens do campeonato brasileiro de 1998... ele copiava o estilo de Vanderlei Luxemburgo e tinha uma coleção com mais de trezentos ternos para serem usados durante os jogos... o maior feito dele foi levar o Sport Recife para as quartas-de-final de 1998... depois disto, treinou Coritiba e Botafogo RJ sem sucesso e acabou caindo no esquecimento...



Walmir Louruz é bastante conhecido no Rio Grande do Sul com bons trabalhos em clubes do interior
 
WALMIR LOURUZ - Treinador gaúcho que tinha Felipão como um dos seus ídolos, ganhou destaque por fazer boas campanhas com clubes do interior gaúcho... com ele, por exemplo, o Brasil de Pelotas foi semifinalista do Brasileirão de 1985... mas o maior feito dele foi ganhar com o Juventude de Caixias a Copa do Brasil de 1999 em pleno Maracanã derrotando o Botafogo RJ... este título o creditou a treinar o Internacional, mas ele afundou com o time brigando para não cair para a Série B no Brasileirão daquele mesmo ano... depois, acabou voltando para o interior gaúcho...


Andrade, ídolo do Flamengo como jogador e técnico.
 
ANDRADE - Penta-campeão brasileiro nos anos 1980 como jogador, Andrade foi lançado como treinador do Flamengo de 2009 e conseguiu uma reação implacável, fazendo o time ganhar o título brasileiro após um jejum de dezessete anos... mas depois Andrade acabou demitido por culpa dos maus resultados na fase de Grupos da Libertadores de 2010 e ele nunca mais pegou um time grande para treinar... hoje se contenta em treinar clubes pequenos do nordeste...

NEREUZINHO - Teve destaque ao dar para o Cruzeiro a sua primeira Copa do Brasil em 1993 numa final contra o Grêmio... porém, acabou logo depois sendo demitido porque o time ficou de fora das finais do campeonato mineiro daquele ano...

OTACÍLIO GONÇALVES - Credenciado com o título do Brasileirão Série B de 1992 com o Paraná Clube, Otacílio acabou sendo contratado pela Parmalat para treinar o Palmeiras no início da co-gestão Palmeiras - Parmalat dos anos 1990... estava liderando o campeonato paulista de 1993 quando pediu demissão porque os jogadores estariam o boicotando... Otacílio saiu do time e a fama de ter quebrado o jejum de títulos foi para Vanderlei Luxemburgo... depois disto, Otacílio acabou treinando outros clubes como Atlético MG mas não conseguiu repetir o sucesso de antes...

Roberto Rojas durante um jogo do São Paulo FC
 
ROBERTO ROJAS - O goleiro chileno, famoso por ter simulado a sua contusão após o incidente do foguete sinalizador no jogo Brasil x Chile de 1989, arriscou a carreira como treinador do São Paulo após a sua anistia da FIFA... com ele, o São Paulo conseguiu no campeonato brasileiro de 2003, voltar a se classificar para uma Copa Libertadores desde o fim da era Telê Santana... mas Rojas não continuou no clube e ele acabou deixando o Brasil no final daquele ano para voltar para o Chile...

WASHINGTON OLIVEIRA, o APOLINHO - Comentarista e jornalista esportivo, Apolinho foi convidado para treinar o Flamengo em 1995... com ele, o time quase caiu para a Série B, mas ele conseguiu levar um limitado e badalado Flamengo até a final da extinta Supercopa dos Campeões da Libertadores daquele ano... o time estava invicto com ele, mas não aguentou a pressão do Independiente ARG na final, perdendo o título no Maracanã... depois disto, Apolinho tratou de encerrar sua curta carreira de treinador...

PÉRICLES CHAMUSCA - Ganhou notoriedade ao levar o desconhecido Brasiliense DF para a final da Copa do Brasil de 2002, perdendo para o Corinthians na decisão... porém, ele foi um pouco mais persistente e conseguiu dois anos depois, com o Santo André, o título desta mesma Copa do Brasil derrotando o Flamengo em pleno Maracanã... depois disto, foi treinar outros clubes com algum destaque...




O maior feito de Péricles Chamusca foi o título da Copa do Brasil com o Santo André

FITO NEVES - Com passagens em alguns clubes do interior de São Paulo, como o Guarani, por exemplo, foi no Vitória BA que ele conseguiu surpreender no Campeonato Brasileiro de 1993, eliminando Corinthians e Flamengo, mas parando na decisão daquele campeonato ao perder para o Palmeiras... Fito Neves lançou jogadores jovens como Dida, Júnior e Vampeta (com passagens de destaque em grandes clubes e campeões mundiais com a seleção brasileira de 2002)... com isso foi contratado a peso de ouro pela Portuguesa, mas não conseguiu repetir o mesmo sucesso de antes...

Bom, esses são alguns exemplos... caso vierem na minha cabeça outros nomes, publicarei-os com certeza... valeu!!!!

domingo, 29 de janeiro de 2017

E se Nelson Piquet não tivesse se acidentado na Indy 500

Obs: Todas as fotos foram extraídas do site www.indy500.com


Bom, gente... mais uma vez eu aqui falando de histórias de automobilismo e hoje contarei para vocês sobre as 500 milhas de Indianápolis. Mas não uma edição qualquer... desta vez vou falar de um dos capítulos da edição de 1992, que pra mim, em termos de cobertura jornalística e de corrida, talvez tenha sido uma das melhores edições desta prova, marcada sobretudo por muitos acidentes e por um final de corrida épico... e curiosamente, estamos completando o Jubileu de Prata (25 anos) desta edição...


Nelson Piquet foi o grande nome em termos de marketing para a Indy 500 de 1992

Um dos capítulos a parte das 500 milhas de Indianápolis de 1992 foi a surpreendente aparição de Nelson Piquet para esta corrida. O piloto brasileiro estava na época, sem uma perspectiva de futuro na Fórmula 1, e a boataria comia solta sobre possibilidades dele correr em algumas equipes depois que foi dispensado pela Benetton... tudo era fumaça naquele tempo que as informações eram baseadas em revistas Quatro Rodas e alguns jornais de circulação do país. Foi aí que então, em Março ou Abril, foi anunciado com pompas o nome de Nelson Piquet para participar desta prova, através de um convite da equipe Menard da Fórmula Indy.

O mundo das pistas recebeu essa notícia na época como uma bomba. Afinal, um tri-campeão da Fórmula 1, resolver se aventurar nesta prova, não era uma coisa muito comum na Indy 500, mesmo a categoria tendo abrigado outros ex-campeões como Emerson Fittipaldi e Mario Andretti, por exemplo. Na verdade, a contratação de Nelson Piquet para correr as 500 milhas foi meio que um acaso, pois um dos pilotos da Menard, o norte-americano Kevin Cogan, foi vetado pelos médicos devido a problemas numa cirurgia feita devido a um acidente que ele sofreu na edição do ano anterior, e então precisava-se de um substituto. Foi aí que, vendo que Piquet estava parado na Fórmula 1, ventilaram o nome dele na equipe e no final, o piloto brasileiro acabou aceitando correr esta prova. Nelson Piquet na Indy 500 virou o grande chamativo para a corrida e uma forma da equipe Menard de fazer o seu marketing para o mundo todo.


Nelson Piquet em ação nos treinos da edição de 1992...
 
Convite aceito, o piloto tratou logo de se familiarizar com um Fórmula Indy e fazendo seus testes de adaptação para a corrida. A participação na Indy 500 também foi uma forma que ele achou de continuar sendo lembrado enquanto não pintava algo de concreto na Fórmula 1. Na Indy, ele foi logo apresentado à equipe Menard. Era um Lola Buick de número 27 que foi disponibilizado para ele aproveitar bem esses momentos. E Piquet estava indo muito bem nos testes, cravando sempre tempos entre os dez primeiros em cada sessão de treino livre, até que veio numa quinta-feira, dois dias antes do Pole Day, o dia em que ele perdeu o controle de seu carro na curva 4 e acabou acertando o muro de frente, fraturando suas duas pernas e deixando a edição daquele ano. Com isso também acabaram-se todas as esperanças de um dia querer voltar a disputar a Fórmula 1 mais pra frente.

O que se viu depois daquele acidente foi ele operando as pernas para não ter complicações maiores e logo depois a fisioterapia, onde ele passou quase que o ano inteiro se tratando e reaprendendo a andar, e voltar a Indy 500 no ano seguinte, para depois conseguir largar e abandonar a prova no primeiro quarto de prova. Infelizmente Nelson Piquet não deu sorte na Indy 500 e depois de 1993, ele resolveu de uma vez por todas que monopostos para ele era passado.

Hoje eu comento essa passagem de Piquet na Indy e muitos não se conformam pelo fato dele ter sofrido um acidente e até alguns mais exaltados, falam que Piquet era muito mais piloto do que quase todo o grid das 500 milhas na ocasião... aí comecei a pensar: puxa vida... se não fosse esse acidente... o que teria sido... será que ele teria se dado bem???? Só para a título de constatação: a Menard, logo depois deste acidente, convidou o veterano multi-campeão Al Unser, que na época tinha 52 anos, e com o carro que Nelson Piquet iria correr, Al Unser terminou a corrida em terceiro lugar, graças à sua experiência neste tipo de prova... mas será que Nelson Piquet teria conseguido resultado igual ou parecido com o que conseguiu o Al Unser????

Eu acredito que não... vou explicar o porquê... o carro de Nelson Piquet era um Lola Buick... o motor Buick era um dos piores motores da Fórmula Indy (período pré-cisão) quando era controlada pela CART, pois os motores Buick eram mais pesados se comparados aos Chevrolet e Ford Cosworth, que competiam na ocasião. Ocorre que, as 500 milhas de Indianápolis não eram controladas pela CART, e sim pela USAC, um órgão rival da CART, e que a USAC fazia interpretações diferentes no regulamento da CART e criava as suas próprias regras onde as equipes da Indy tinham que se adaptar às regras da USAC.

E aí é que entrava o caso dos motores Buick... graças ao regulamento da USAC, a entidade permitia que, para igualar as forças, as equipes que corriam com motores Buick, abrissem mais a válvula do Turbo de seus motores para que ficassem parelhos com os Cosworth e os Chevrolet... assim os carros de motor Buick acabavam sendo muitas vezes até mais rápidos em termos de classificação, mas para situações de corrida, eles sofriam com a confiabilidade e muitos deles, embora demonstrassem ser rápidos, acabavam quebrando no meio do caminho e deixando seus pilotos a pé.

Ocorre também dizer, porém, que as 500 milhas de Indianápolis de 1992 foi uma das edições mais surreais e acidentadas da história da corrida, onde praticamente metade esta prova foi disputada sob bandeira amarela, onde os pilotos tinham que ficar em fila indiana e esperarem a bandeira verde ser acionada para que eles acelerassem e disputassem as posições. Al Unser soube dosar bem o uso do seu motor Buick nesta prova bastante acidentada, e com isso, acabou conseguindo esse terceiro lugar com o carro que era para ter sido de Nelson Piquet. Talvez o piloto brasileiro não teria conseguido usar essa dosagem se tivesse ele ao volante...


Esta foto é da edição de 1993, um ano depois de seu acidente...

Mas... e o Nelson Piquet??? E se ele tivesse corrido a edição de 1992???? Talvez eu acho o seguinte: Ele poderia até se classificar bem nesta prova, talvez pegando uma segunda ou terceira fila (na Indy 500, são 33 pilotos divididos em onze filas com três carros por fila)... mas na corrida teria sido diferente, talvez... Piquet, com certeza, sofreria com os problemas de confiabilidade do motor Buick de seu carro 27 e talvez nem teria terminado naquela prova tão acidentada... mas que a participação de um tri-campeão nesta prova seria um atrativo a mais para a corrida, com certeza, seria... e ele, tendo corrido aquela edição de 1992, será que teria vontade ainda de voltar para a Fórmula 1???? Não sei... vai que ele se apaixonasse pela Fórmula Indy... bom... ele disputaria ainda a Indy 500 de 1993, mas sua presença seria ofuscada pela participação do Nigel Mansell na equipe Newmann Haas. O piloto inglês tinha acabado de ser campeão da Fórmula 1 de 1992 com aquela "Williams de outro planeta" (como Ayrton Senna chegou a classificar aquele carro naquele ano)... realmente uma pena que Piquet não deu sorte com as 500 milhas de Indianápolis naquela época...

E vocês, pessoal???? Vocês acham que Nelson Piquet poderia ter se dado bem se tivesse uma sorte melhor nesta prova????

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Kart Cuiabano - Senhor Tempo Bom...

Bom, gente... muitas vezes costumo falar bastante sobre Automobilismo e outros esportes nas minhas postagens, mas desta vez eu vou reservar algumas linhas para eu poder falar das minhas lembranças que eu vivia num tempo bem passado, mas até que recente...





Lembro que cheguei de mudança junto com a minha família em Cuiabá, capital de Mato Grosso, mais precisamente perto do Natal de 1983 quando eu tinha apenas oito anos de idade e logo veio à adaptação e a conhecer o que que a chamada Cidade Verde tinha de bom... e notei que a cidade na época tinha algumas poucas opções de entretenimento... e curiosamente o Kart Cuiabano, na época, um saudoso amadorismo, estava despertando a curiosidade... pensei... nunca vi corridas de Kart, e então, eu resolvi então conhecer esta novidade...

Juntamente com meu irmão e minha irmã mais velhos, na época jovens que estavam entrando na fase adulta, eu era o pirralhinho da família,  fomos descobrindo este esporte... e a diversão era garantida... as corridas eram realizadas nas ruas mesmo do Centro de Cuiabá, perto de alguns pontos onde a juventude freqüentava as suas baladas da época... afinal, tínhamos uns prefeitos bem legais que interditavam os points pelo menos uma vez por mês para assegurar a realização destas corridas... nem era preciso dizer que a segurança nestas pistas improvisadas era pouquíssima, mas a torcida lotava as beiradas de calçadas, separadas somente por uma cordinha que delimitava a rua da calçada e as máquinas preparadas ali mesmo nas calçadas e os pilotos acelerando mesmo com a cara e a coragem... era preciso mesmo muita coragem dos pilotos se arriscando nas ruas da cidade e os torcedores também se arriscando naquelas beiras de calçadas, correndo um risco de sofrerem um acidente caso um dos karts escapasse para fora da pista... engraçadinhos atravessarem as ruas na frente dos karts em movimento eram muito comum e dava uma sensação enorme de adrenalina tanto para os pilotos quanto para os torcedores...

Nós éramos muito felizes mesmo... a gente podia tirar fotos dos karts, dos pilotos, das máquinas em movimento e tudo o mais... era uma época muito boa mesma... o kart cuiabano cresceu tanto que o Kart Clube local viu a necessidade de se construir um kartódromo... afinal, era um perigo para todos a continuidade das corridas nas ruas e também o sucesso era enorme e estava crescendo numa grande escalada...

Nos anos 1990 praticamente tivemos o auge do Kartismo Cuiabano... finalmente foram inauguradas as pistas em Cuiabá e Várzea Grande, e com o tempo, fomos fabricando ídolos... nomes como Silvinho Montanha, Disney Rochembach, Éder D´agostini, Marlon Ursinho, Fernando Martins, Alexandre Pozzobom, entre outros, eram sempre lembrados pelos fãs do esporte local... até mulheres competiam aqui e davam muito trabalho para os marmanjões, como foi o caso da Sandra Barbosa Martins, que se fosse ver, poderia ser considerada uma “Danica Patrick Pantaneira” (Para quem não conhece, Danica Patrick é uma piloto norte americana com passagens boas na Fórmula Indy e na Nascar)... e também podíamos praticar o esporte... na segunda metade desta década, veio a febre do Kart Indoor, onde você podia pagar para correr por um determinado espaço de tempo em pistas dentro de galpões em vários pontos da cidade... Participei de muitas corridas onde eu pagava R$ 30,00 e tinha direito a usar macacão, capacete, protetor e corria por uma bateria de trinta minutos... era a minha grande ostentação da época... como não tinha dinheiro para ir todo final de semana, eu acabava indo uma vez por mês... era uma época muito boa mesmo...

Mas, como dizem por aí, as coisas boas um dia acabam, e infelizmente no virar da década de 1990 para os anos 2000, o kart cuiabano iniciou seu declínio... a pista cuiabana, infelizmente acabou fechando no final de 2001, e até que foi uma boa festa, mas que depois do fechamento da pista de Cuiabá, que ficava no bairro do Carumbé (você tinha que percorrer a atual Avenida Dante Martins de Oliveira, na época era chamada de Avenida dos Trabalhadores), e depois da última corrida, ela finalmente fechou e o terreno, vendido.

Vou contar uma pequena historinha que pode parecer loucura, mas que achei que foi determinante para o fechamento da pista e enterrar de vez o kartismo cuiabano, pelo menos para mim... era Dezembro de 2001 e nesta época eu estava desempregado. Como não tinha nada o que fazer, resolvi ir assistir a corrida que estava marcada neste dia... eu estava super feliz e empolgado, tirando bastante fotos dos karts, das corridas e de algumas moças lindas que desfilavam pelos boxes... achava que estava fazendo a coisa certinha e cuca fresquinha no evento...

De repente, uma dessas dondoquinhas metidinhas e que se acham as tais, vieram querer me questionar porque eu estava tirando fotos a torto e direito e inclusive uma delas queria chamar o marido para tirar e confiscar a máquina fotográfica de mim, querendo dar uma de machões por causa de alguns rabos de saia, achando que tinham o direito de fazer assim... o pessoal começou a se achar tanto, querendo dar uma de gostosos pra cima de mim e aquilo foi me subindo no sangue... consegui ficar com a máquina intacta, mas a partir dali, putíssimo com tamanha ofensa, agourei tanto e decretei para mim mesmo: “Tomara que essa merda acabe logo de uma vez e que o esporte afunde!!!!!”...

Isso mesmo... desde esta declaração, nunca mais ouvi falar de Kart Cuiabano e o esporte, sem a sua pista, acabou decaindo de vez e sumindo praticamente da mídia... hoje quase não se fala mais de kart cuiabano e os pouquíssimos lugares onde se pratica o esporte são em pontos decadentes, com máquinas defasadas, sujas e caindo aos pedaços, sem segurança nenhuma... até pouco tempo atrás inclusive tentamos o pessoal do meu local de serviço marcar um dia para a gente se divertir, mas as condições precárias e a falta de segurança eram tantas que acabamos desistindo...

Hoje o kart cuiabano é apenas uma lembrança para mim, de um tempo onde não se tinha tantos estrelismos e que até um certo amadorismo doce e puro suspira na minha mente... se eu sou considerado um dos responsáveis por essa decadência toda, eu não sei... mas tenho certeza de que o Kart Cuiabano acabou sepultado de vez depois daquele Dezembro de 2001 para mim... mas vale a pena lembrar das coisas boas deste tempo bom, que não volta nunca mais, como diria a música de Thaíde e DJ Hum... ou será que volta????

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

E se Conmebol e Concacaf se fundissem...

Bom, gente... mais uma vez eu estou aqui viajando com meus exercícios de imaginação e estava pensando nessas épocas de jogos de eliminatórias para a Copa do Mundo... sobre as duas confederações de futebol das Américas: a Conmebol (América do Sul) e a Concacaf (América no Norte, Central e Caribe). Muitas vezes eu penso comigo mesmo e analiso: a Conmebol tem as seleções mais fortes que são sempre favoritas para a disputa dos principais torneios e a Concacaf, o futebol das seleções que são filiadas a ela é meia boca se comparadas com a Conmebol.

Conmebol e Concacaf juntas um dia: seria possível uma Conafut????


Então estive aqui pensando: em quase todos os esportes, têm uma Confederação só das Américas. Por que que no futebol tem que ser diferente???? Não era pra então fundir as duas confederações e fazer uma só???? Claro que isto não vai acontecer tão cedo porque interesses de uma e de outra se sobressaem como peso de tradição, dinheiro, distância de países (já imaginou um dia a seleção brasileira ter que viajar para as Bahamas, por exemplo????) e cada uma delas apenas olha para o seu próprio umbigo. A Conmebol não quer porque teme que as seleções da Concacaf cresçam e rivalizem com elas. A Concacaf não quer porque tem medo de suas seleções levarem um senhor dum côro das seleções da Conmebol e perder representatividade, entre outras coisas mais...

Mas aí pensando bem eu estava aqui analisando: se eles resolvessem fazer uma Confederação somente e juntar todas as seleções filiadas, teríamos uma senhora duma Confederação, que poderia até ficar tão numerosa quanto às outras demais Confederações espalhadas por aí: tomo como base, por exemplo, a UEFA, que hoje têm 55 delegações filiadas.

Caso realmente Conmebol e Concacaf resolvessem se unir, esta nova Confederação se chamaria algo tipo, por exemplo: Conafut (Confederação Americana de Futebol) ou outra sugestão qualquer. No caso de torneios de clubes, hoje temos a Libertadores da América (Conmebol), que vai passar a ter 44 seleções; a Liga dos Campeões da Concacaf, que tem 24 seleções segundo os critérios dela. Com uma possível fusão, poderíamos ter dois torneios paralelos que nem ocorre com a UEFA que tem a Champions League e a Liga Europa. De repente, o principal torneio da Conafut seria uma Champions League das Américas, com, por exemplo, 92 times divididos em fases preliminares e uma Fase de Grupos com os melhores 32 clubes se enfrentando. E o outro torneio seria uma Liga América de Clubes, nos moldes da Copa Sulamericana ou da Liga Europa, por exemplo.

Mas e quanto a seleções???? Bom... os torneios continentais temos a Copa América (Conmebol) e a Copa Ouro (Concacaf), além da Copa do Caribe... juntando todos os torneios, poderia até imaginar um torneio com todas as seleções divididos em Fases Preliminares. Para tirar as dúvidas, atualmente a Conmebol têm 10 seleções filiadas à FIFA e a Concacaf têm 35 seleções filiadas à FIFA, fora algumas poucas que são filiadas à Concacaf, mas por regras não podem ser filiadas à FIFA. De repente, juntar todas estas seleções, dividir em fases preliminares de acordo com a região e fazer uma Copa América Unificada com 24 seleções na Fase Final, sendo disputada de acordo com os moldes da Eurocopa, por exemplo, com este torneio sempre acontecendo de quatro em quatro anos, de preferência um ano após cada Copa do Mundo.

E quanto às Eliminatórias para cada Copa do Mundo???? Eu pensei numa idéia assim: segundo o regulamento da FIFA, nas Eliminatórias só podem estar aptos à disputa aquelas seleções que são filiadas à FIFA. Como te falei antes, neste caso seriam 10 seleções da Conmebol e 35 da Concacaf, totalizando 45 seleções. A Fórmula de disputa seria a seguinte:

1 – Primeiro uma Fase Preliminar envolvendo aquelas seleções que estão entre 36º a 45º no Ranking da FIFA pela provável Conafut, totalizando 10 seleções, ou seja, as piores neste mesmo Ranking. Essas seleções jogariam em sistema mata-mata, ida e volta, sendo divididas em cinco confrontos. Os vencedores destes confrontos se classificariam para a Segunda Fase. Nesta fase, cada seleção faria dois jogos.

2 – Na Segunda Fase, entrariam as 35 seleções pré-classificadas do Ranking entre as posições 1 a 35 e se juntariam a elas as outras cinco vencedoras da Fase Preliminar, totalizando assim 40 seleções. Essas 40 seleções seriam divididas em 8 grupos de 5 seleções, onde elas jogariam dentro de seus grupos em turno e returno. As duas melhores seleções de cada grupo, totalizando assim 16 seleções, se classificariam para a Fase Final. Nesta fase, seriam dez rodadas, onde cada seleção faria oito jogos, podendo folgar em duas rodadas.

3 – E a Fase Final, onde as 16 seleções remanescentes seriam divididas em 4 grupos de 4 seleções cada, também jogando em turno e returno dentro de seus grupos. Classificariam para a Copa do Mundo as duas melhores seleções de cada grupo, totalizando 8 seleções, o número de vagas que a provável Conafut teria de direito. (*) Nesta fase, seriam seis jogos que cada seleção faria dentro de seus próprios grupos.

(*) – Vale lembrar que a atual divisão de vagas pela FIFA reservam à Conmebol 4 vagas diretas e 0,5 vaga (esta para ir para Repescagem Intercontinental) e à Concacaf 3 vagas diretas e 0,5 vaga (esta para ir para a Repescagem Intercontinental). Se somar as 4 vagas da Conmebol, as 3 da Concacaf e juntar as meias vagas de cada um deles, ficariam ao todo 8 vagas, um número razoável de vagas se comparado à UEFA, por exemplo, que tem direito a 13 vagas para 55 seleções e outras seleções de confederações menos tradicionais como a CAF (África) que tem direito a 5 vagas e a AFC (Ásia) que tem direito a 4 vagas e 0,5 de repescagem.

Neste sistema de Eliminatórias pela provável Conafut, caso uma seleção disputasse todas as fases, fariam no máximo 16 jogos como caminho para chegar até uma Copa do Mundo. Vale lembrar que pelo sistema que vigora hoje, na Conmebol, cada seleção joga 18 partidas, e no caso do quinto colocado, ele disputa ainda mais duas de repescagem, totalizando 20 partidas. Na Concacaf, as seleções são divididas em Fases Preliminares e as melhores só entram a partir da Fase Semifinal. Se uma seleção chegasse ao Mundial disputando todas as fases de disputa desde o começo, ela teria jogado até 22 partidas. Ou seja, numa provável fusão entre as duas Confederações, as seleções jogariam menos partidas. Uma economia de dinheiro, de datas FIFA e além disto, menos desgaste para jogadores e comissões técnicas.

Pois bem, pra finalizar, seria possível sim uma fusão destas duas Confederações e fazer uma só. Talvez isto pareça um pouco utópico para a visão de muitos... mas como sonhar não custa nada, quem sabe um dia isto acabe se concretizando... é esperar e ver...



domingo, 25 de setembro de 2016

Doze campeões da Fórmula Indy que nunca ganharam as 500 milhas de Indianápolis

Bom, gente... temporada da Fórmula Indy já acabou e estive aqui pensando: para mim, a Fórmula Indy é dividida em dois campeonatos. As 500 milhas de Indianápolis eu considero um campeonato à parte do restante da temporada, pois a Indy 500 é que tem um charme especial, pois durante quase um mês, as equipes da Indy se preparam melhor para a principal prova da categoria. E eu tenho reparado que o pessoal dá muito mais valor às 500 milhas do que necessariamente à Fórmula Indy, sendo melhor reconhecido o piloto que ganha a tradicional prova do que ganhar todo o campeonato. Por isso mesmo, listei alguns pilotos que foram campeões da Fórmula Indy, mas nunca venceram a tradional prova do automobilismo norte-americano. Então, lá vai esta lista:

MICHAEL ANDRETTI - Estreou na categoria em 1983 como o filho de Mario Andretti. Michael detém os recordes de vitórias da Fórmula Indy (juntando todos os períodos) até 2007, e foi campeão da categoria em 1991. No entanto, como piloto, jamais venceu a Indy 500, colecionando histórias de insucessos que tanto perseguem a família Andretti. Seu melhor resultado como piloto foi um segundo lugar na edição de 1991. Porém, como chefe de equipe, Michael teve mais sorte e sua equipe venceu a prova em quatro oportunidades.

Michael Andretti durante a Indy 500 de 1991...


NIGEL MANSELL - O "leão", famoso pelos seus pegas contra Ayrton Senna e Nelson Piquet na Fórmula 1, chegou a disputar a Fórmula Indy nos anos 1990 e foi campeão da categoria em 1993 desbancando Emerson Fittipaldi no campeonato. Porém, para a título de Indy 500, Mansell disputou a prova apenas duas vezes e teve um terceiro lugar em 1993 como melhor resultado.

JIMMY VASSER - Veterano da Indy no período pré-cisão e na época da CART-Champ Car, Jimmy disputou algumas edições da Indy 500 e teve dois quartos lugares (1994 e 2001) como melhores marcas na corrida. Assim como Michael Andretti, Jimmy Vasser tem uma vitória na prova como dono da equipe KV em 2013 com Tony Kanaan.

BUZZ CALKINS - Este disputou a IRL desde a primeira corrida da categoria até 2001 e foi um dos campeões da temporada inaugural da nova categoria em 1996. Porém, Calkins não teve tanta sorte a título de Indy 500 e o melhor resultado dele foi em 1998, atingindo o décimo lugar, sempre como dono de sua própria equipe.

SCOTT SHARP - Começou na Fórmula Indy ainda no período pré-cisão em 1994 e depois foi para a IRL em 1996. Dividiu o título daquele ano com Buzz Calkins, mas em termos de Indy 500, teve resultados um pouco melhores. Sharp foi pole position na corrida de 2001 e atingiu sua melhor participação em 2007.

Zanardi, campeão na CART-Champ Car, mas sem participações em Indy 500...


ALEX ZANARDI - Campeão da Fórmula Indy pela extinta CART-Champ Car em 1997 e 1998, o italiano acabou pagando pelo fato da categoria não estar correndo as 500 milhas de Indianápolis naquele período. Por isso mesmo, Zanardi nunca teve o gosto de disputar a tradicional prova do automobilismo mundial, com suas chances de participar inclusive foram sepultadas com o acidente em Lausitz 2001 fazendo perder suas pernas e encerrar sua carreira para monopostos.

TONY STEWART - Foi campeão da Fórmula Indy pela IRL na temporada 1996/97 (aquela temporada começou em Agosto de 1996 e só foi terminar em Novembro de 1997). Na sua edição de estréia da Indy 500, herdou a pole conquistada por Scott Brayton por causa da morte do seu colega de equipe e participou de algumas edições até se transferir definitivamente para a NASCAR. Seu melhor resultado na Indy 500 foi em sua última edição disputada no ano de 2001, cravando um sexto lugar.

GREG RAY - Piloto que disputou a IRL entre 1997 e 2004 sendo campeão em 1999, ficou famoso na categoria por ressuscitar o número 13, até então, proibido na categoria por questões de superstição. E foi justamente na edição de 2003, guiando um carro 13, que ele obteve o melhor resultado na Indy 500, um oitavo lugar. Greg Ray ainda foi pole position em 2000.

Greg Ray ficou famoso por ressuscitar o número 13 na Indy 500...


CRISTIANO DA MATTA - Campeão da Fórmula Indy em 2002 pela extinta CART-Champ Car, assim como Alex Zanardi, nunca disputou a Indy 500, mas tem uma explicação: o próprio piloto abriu mão de disputar a prova para aceitar um convite de ir para a Fórmula 1 pela equipe Toyota. Da Matta correu na Fórmula 1 em 2003 e 2004, voltando à Champ Car em 2005, mas aí um acidente num teste em Elkhart Lake, onde atropelou um cervo, acabou deixando-o em coma por uns dias e encerrando a sua carreira para monopostos na hora. Hoje o piloto corre na Fórmula Truck Brasileira.

SEBASTIÉN BOURDAIS - Foi o último campeão da extinta CART-Champ Car, faturando o tetra campeonato de 2004 a 2007. Porém nas 500 milhas de Indianápolis, o piloto francês não demonstrava ter a mesma competência para o campeonato. O seu melhor resultado foi um sétimo lugar em 2014.

WILL POWER - Um dos pilotos que disputava da extinta CART-Champ Car, o australiano foi campeão da Fórmula Indy unificada em 2014. Disputou com isso a Indy 500 entre 2008 até os tempos de hoje, faturando um segundo lugar em 2015 como seu melhor resultado na prova.

SIMON PAGENAUD - Atual campeão da Fórmula Indy, Pagenaud foi outro também vindo da extinta CART-Champ Car. Porém demorou um pouco mais para entrar na Fórmula Indy unificada, fazendo seu debut em 2011. Pagenaud disputou a Indy 500 de 2012 até a última edição e seu melhor resultado foi um oitavo lugar em 2013.

Bom, é isso...

Valeu!!!!

sábado, 17 de setembro de 2016

E se a Bia Figueiredo tivesse chegado até a Fórmula 1...

Bom, gente... uma das coisas que mais me deixam puto com relação à Fórmula 1 é o fato de estarmos há muito tempo sem participação feminina na categoria. A última vez que se tentou fazer uma mulher correr foi com a italiana Giovana Amati em 1992... mas o carro da Brabham era tão ruim, uma equipe que estava indo para a bancarrota e a Giovana também não era assim tão boa o suficiente para ter um mínimo de competitividade na categoria, e a pobre da italiana acabou na época saindo das pistas e fechando as portas para o sexo feminino por um bom tempo. Recentemente tivemos outras duas tentativas para se colocar mulheres na Fórmula 1 que foram a suíça Simona de Silvestro com a Sauber e a escocesa Susie Wolff com a Williams. Mas o que ninguém sabe é que no começo dos anos 2000, o Brasil tinha uma piloto mulher que muitos aqui no país e quem conhecia ela, acreditava que poderia chegar até à Fórmula 1 pelo seu talento natural demostrado nas pistas brasileiras. Estamos falando de Ana Beatriz Figueiredo, ou simplesmente Bia Figueiredo, como ela gosta de ser chamada.

Bia Figueiredo, piloto da Stock Car Brasil

Bia Figueiredo teve ótimas passagens pelo kart brasileiro e logo depois iria para a Fórmula Renault Brasileira, com uma marca muito bem expressiva: Bia foi a primeira mulher a ganhar uma corrida de monopostos no Brasil e a primeira a ganhar na Fórmula Renault em todo o mundo (detalhe: a Fórmula Renault tinha na época várias divisões espalhadas pela Europa). Na última temporada dela, em 2005, Bia encerrou aquele campeonato na terceira colocação geral, com três vitórias e três poles positions. Na época, os especialistas consideravam a piloto como "o Novo Ayrton Senna" (hoje este tipo de declaração seria repudiada pelas feministas de plantão).

Mas, ao contrário do que muitos apontavam, Bia não conseguiu chegar lá. Depois daquele ano fantástico, a carreira dela deu algumas mudanças de direção. Ela foi para a Fórmula 3 Sudam, depois a extinta A1GP (que era uma Copa do Mundo de Automobilismo onde as equipes eram representadas pelos países), passando pela Indy Lights onde tornou-se a primeira mulher a ganhar corridas nesta categoria, alcançou à Fórmula Indy, onde aí sua carreira entrou em declínio e hoje ela está na Stock Car Brasil, contentando-se em ser apenas coadjuvante junto com outros ex-veteranos de Fórmula 1 e Fórmula Indy.

Bia Figueiredo com seu empresário na época, o ex-piloto André Ribeiro

A carreira de Bia Figueiredo, ninguém podia imaginar na época, que terminaria assim dessa forma, pois a própria piloto sempre falava com otimismo das suas chances lá dentro, do sonho de querer disputar freadas e ganhar vitórias e títulos dentro da Fórmula 1... porém, o tempo foi passando, a idade avançando e ela não conseguia sair do lugar. A ida para os Estados Unidos foi uma mudança radical de planos e foi aí que os problemas começaram. Ela começou a adotar uma política de que "a Fórmula 1 era suja e que por isso não estava mais querendo ir pra lá", entre outras declarações mais. Com o destaque na indy Lights, começaram a chamá-la de "Danica Patrick do Brasil", numa alusão a piloto norte-americana que fez grande sucesso por lá, comparando o talento de ambas... porém, Bia começou a sentir o peso da responsabilidade quando ascendeu à categoria principal e as vitórias ficaram deixadas de lado. Bia não se adaptou, começou a andar cada vez lá atrás, e a antes "Danica Patrick do Brasil" virou a "Milka Duno tupiniquim", numa outra comparação à piloto venezuelana que não deixou nenhuma saudade na Indy. O ponto máximo do declínio da Bia foi numa corrida em Detroit em 2013 quando a Bia, sem recursos financeiros, foi substituída por um piloto chamado Mike Conway, que foi chamado para guiar o seu carro pela equipe Dale Coyne, e com o carro da Bia, Conway acabou faturando uma grande vitória e um pódio naquele final de semana de rodada dupla. Detalhe: Conway tinha revelado para a Indy a sua decisão de deixar de competir em circuitos ovais por trauma de duas pancadas fortes nas 500 milhas de Indianápolis que ele sofreu em edições diferentes.

Com isto, foi o fim da Bia Figueiredo nos Estados Unidos e a volta à realidade brasileira. Hoje ela é apenas mais uma na Stock Car Brasil. Mas eu notei algumas atitudes dela nesta caminhada que ela fez e os caminhos. Durante muito tempo, ela tinha como empresário o ex-piloto da CART, o André Ribeiro, o homem que trouxe a Fórmula Renault aqui no Brasil e ele passou a gerenciar a carreira da jovem piloto. A passividade da Bia também era outra coisa que os críticos lembravam. Tudo que perguntavam para ela, ela citava o empresário e vinha sempre com este mesmo bordão; "vou ver o que o André acha!!!", ou seja, o que ele falava, ela acatava sem questionar, sem perguntar nada. Quando não estava guiando nas pistas, estava simplesmente trabalhando nas empresas do André Ribeiro, e ele, na minha concepção de ver, um homem que se gabava de conseguir os melhores lugares nas pistas por estar sempre negociando patrocínios como empreendedor, não conseguiu ter esta mesma visão de negócios quando se tratava de gerenciar a carreira da Bia Figueiredo.

Este poderia ter sido o carro da Bia Figueiredo na Fórmula 1... a Williams...

Ninguém se lembra disto, mas eu ouvi uma história lá em 2005 no Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1. A Fórmula Renault brasileira teve no mesmo final de semana, uma rodada dupla em Interlagos, como preliminar da corrida principal. Os chefes de equipe da Fórmula 1 viram esta corrida e segundo fontes que hoje ninguém mais fala, o Sir Frank Williams, dono da equipe de seu nome, que dispensa apresentações, viu e se encantou com a tocada da Bia Figueiredo. Ele perguntou quem era essa jovem piloto de pouco mais de vinte anos que encantou pela tocada agressiva e pela combatividade naquele final de semana. Isto foi aos ouvdos da própria Bia este elogio e ela contou para o seu empresário, o André Ribeiro. Frank teria feito uma proposta para ela correr para a equipe, mas o André Ribeiro tratou de jogar um balde de água fria. Ele simplesmente disse para a Bia Figueiredo: "Você precisa é adquirir mais experiência na Europa". Sem questionar nem perguntar nada, Bia simplesmente se calou e o Sir Frank Williams acabou "lavando as mãos" neste episódio. Dias depois, o ex-piloto Keke Rosberg (campeão pela Williams em 1982 ganhando apenas uma corrida na sua carreira), ofereceu seu filho para um teste na Fórmula 1. Este filho era um jovem também de pouco mais de vinte anos chamado Nico Rosberg. E hoje Nico Rosberg é um dos pilotos de ponta da Fórmula 1 e está prestes a completar a marca de mais de 200 Grandes Prêmios disputados.

Pois é... Nico Rosberg entrou na Fórmula 1 e a Bia perdeu sua oportunidade, o que foi uma pena... eu penso que se realmente essa proposta para a Bia tivesse sido feita e ela realmente aceitasse essa proposta. Se ela tivesse falado para o André Ribeiro: "Eu quero ir para a Williams. Dá um jeito de me encaixar por lá...",. hoje talvez a carreira dela teria rumado por caminhos diferentes. E vamos supor que o Sir Frank Williams mesmo assim quisesse colocar o Nico Rosberg como titular por influência do Keke, não teria problema... Sir Frank poderia bancar ela numa Fórmula 3 européia por duas temporadas (para ela conhecer as pistas de lá) e depois mais duas temporadas de GP2 (o último degrau antes da Fórmula 1). Aí no mais tardar, sua estréia na Fórmula 1 seria em 2010. E eu até imaginaria a dupla se fosse o Sir Frank: Bia Figueiredo e Nico Hulkenberg (dois pilotos promissores vindos da GP2) e faria com eles um contrato de três anos de duração no mínimo (Nico Hulkenberg foi piloto da Williams em 2010 e cravou uma espetacular pole position em Interlagos, mas foi um talento que Frank largou mão porque precisava do dinheiro da PDVSA de Pastor Maldonado). Teria dois talentos bons que poderiam alcançar resultados razoáveis para a equipe e não precisaria passar por uma crise técnica e financeira tão grave assim primeiro porque dois estreantes na equipe sairiam mais baratos para a equipe do que contratar um veterano em fim de carreira ou pilotos pagantes, como Sir Frank fez no começo desta década. E a presença de uma mulher jovem (Bia estaria com 25 anos se fosse contratada em 2010) na equipe seria ótima para o marketing da Williams, talvez atrairia mais patrocinadores aos poucos. Só era necessário ter paciência com a dupla pois os resultados viriam a um médio prazo e também um bom equilíbro financeiro.

Poderia ser diferente se o André Ribeiro não tivesse desestimulado a Bia Figueiredo ao fazer tal declaração para ela durante o Grande Prêmio do Brasil de 2005... poderia... mas não foi... e por essas e outras que não me conformo com o fato da Bia Figueiredo não ter chegado até à Fórmula 1... quebraria jejuns e também seria um orgulho ver uma brasileira correr na categoria top do automobilismo mundial...